Prefeito de Itamari (BA) é filmado comprando voto e compara eleição a feijoada
Um vídeo de cerca de 11 minutos publicado na internet esta semana mostra um flagrante de compra de votos na cidade de Itamari, a 328 quilômetros de Salvador, no Litoral Sul baiano.
Protagonizando a peça, cuja analogia mais próxima seria a performance do velho Odorico Paraguaçu, na fictícia Sucupira de Dias Gomes, na novela “O Bem Amado”, o atual prefeito, Waldson Carlos Alves Menezes (PT), que é candidato à reeleição, oferece cerca de R$ 1500 a um eleitor em troca de seu voto, e compara política a uma feijoada. “O voto é como o feijão. O dinheiro é como o tempero. Se coloca tempero, a feijoada fica saborosa”.
O acordo foi selado após breve conversa à sombra da parte externa da casa do eleitor comprado, que aparece sem camisa e de boné branco, e em momento algum aparenta constrangimento com a situação.
Toda a conversa foi gravada por uma mulher que ficou responsável também por guardar o dinheiro.
De início, Waldson conversa sobre a possibilidade de conceder alguma “ajuda” ao rapaz em troca de apoio. O outro homem faz questão de frisar que “voto é questão de consciência”.
Neste momento, ele é rebatido pelo candidato, que pergunta: “o que posso fazer para te ajudar?”. Sem esperar a resposta, o prefeito levanta e entrega à mulher o dinheiro em notas de cem reais.
“Eu trouxe mil e quinhentos contos para inteirar logo dois mil”, disse.
Apesar do flagrante de corrupção, o ponto alto da conversa é a analogia entre voto, dinheiro e feijoada, magistralmente descrita e repetida, como quem saboreia um banquete, pelo prefeito de Itamari.
“A política é uma feijoada. E o que é o feijão? O feijão é o voto. E o dinheiro é o tempero para você fazer a feijoada. Então se você tem um trocado, a feijoada sai gostosa, cheirosa, bonita. Mas, sem feijão, fica morto. Só o tempero não faz a feijoada”, encerrou o prefeito.
Assista o vídeo na íntegra (conversa começa em 1:36′):
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